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		<title>Criador e Criatura</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 01:37:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>theromanesque</dc:creator>
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		<description><![CDATA[La Virgen María é uma composição referente a uma das torres (a qual representa a Virgem Maria) no Templo Expiatório da Sagrada Família situado em Barcelona na Espanha, considerado uma obra-prima do artista Anton Gaudí. A peça para piano e flauta busca produzir a sonoridade de badaladas de sinos e canto gregoriano; e como a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=116&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>La Virgen María</em> é uma composição referente a uma das torres (a qual representa a Virgem Maria) no Templo Expiatório da Sagrada Família situado em Barcelona na Espanha, considerado uma obra-prima do artista Anton Gaudí.</p>
<p>A peça para piano e flauta busca produzir a sonoridade de badaladas de sinos e canto gregoriano; e como a peça não foi escrita para canto, optei pelo subtítulo  <em>Toccata Gregoriana para piano e flauta</em>.</p>
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<p>Piano: Beatriz Chaim<br />
Flauta: Maristela Nogueira</p>
<p>Compositor: Luciano Freitas</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ibeans.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ibeans.wordpress.com/116/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=116&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Realidade! Realidade?</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 12:11:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>theromanesque</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTZ]]></category>
		<category><![CDATA[PHYLO]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo sistema de pensamento e toda ciência desenvolveram, necessariamente, o seu vocabulário. Para se expressar qualquer pensamento, é necessário concordar quanto aos símbolos pelos quis estes pensamentos serão apresentados. A linguagem é provavelmente um dos instrumentos de maior utilidade no desenvolvimento do ser humano. Um termo de uso frequente na metafísica é a palavra real. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=107&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo sistema de pensamento e toda ciência desenvolveram, necessariamente, o seu vocabulário. Para se expressar qualquer pensamento, é necessário concordar quanto aos símbolos pelos quis estes pensamentos serão apresentados.<br />
A linguagem é provavelmente um dos instrumentos de maior utilidade no desenvolvimento do ser humano.</p>
<p>Um termo de uso frequente na metafísica é a palavra <strong>real</strong>. Num rápido exame desta palavra, pareceria que o que é real seria óbvio. Para a pessoa comum é real tudo aquilo que ela percebe com seus sentidos físicos. Qualquer coisa que podemos perceber sua existência pareceria uma realidade.</p>
<p>No entanto, a realidade, no que diz respeito a metafísica, é um termo que se refere a um conceito fundamental, isto é, ao que está subjacente na expressão de todas as coisas, ou seja: &#8220;<em>é real tudo aquilo que existe independentemetne de quaisquer outras coisas</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://ibeans.files.wordpress.com/2010/11/solipsismo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-109" title="Solipsismo" src="http://ibeans.files.wordpress.com/2010/11/solipsismo.jpg?w=300&#038;h=235" alt="" width="300" height="235" /></a>REALIDADE [do latim reale + -idade] &#8211; O que é real, existe efetivamente aos <strong>sentidos</strong> do homem.</p>
<p>Um dos maiores idealistas de todos os tempos foi o filósofo grego, Platão. Ele apresentou um sistema de metafísica baseado no idealismo, um sistema que tem sido copiado, modificado e reexaminado desde os tempos de sua existência. Seu idealismo postula o conceito de que está por trás de tudo que percebemos existe uma idéia perfeita, ou seja, de uma pseudo-realidade, onde nós chamamos erroneamnete de realidade.</p>
<p>Nada é perfeito no mundo físico. Ele é sómente uma reprodução parcial da perfeição. Por exemplo, a idéia de um triângulo é apenas uma idéia até que seja expressada pelo desenho de um triângulo, mas se este for desenhado, carecerá de perfeição.<br />
Não será perfeito, independente dos instrumentos que uso e da capacidade que tenho para fazê-lo. Ele não será uma duplicação da idéia de um triângulo. <strong>O real transcende o mundo físico</strong>. A idéia de &#8220;homem perfeito&#8221; existiria mesmo que jamais houvesse um ser humano em qualquer momento ou em qualquer lugar do universo.</p>
<p>Platão acreditava que qualquer coisa material não poderia ser compreendida pelo homem através do processo de percepção.</p>
<p>Podemos chegar à várias conclusões, mas a mais surpreendente delas é que nada pode ser real no mundo físico. Nada do que conseguimos ver. Nada do que conseguimos criar. Nada aqui no chão.</p>
<p>L. Freitas</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ibeans.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ibeans.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=107&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sujeitos sujeitados?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2010 13:11:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>regiummusicum</dc:creator>
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		<description><![CDATA[René Descartes e a Teologia Medieval A filosofia tem como ponto inicial a condição finita do Homem. O Homem morre. E é porque morre que filosofa e reflete. Se em vez de homens fôssemos deuses, não filosofaríamos.  O que aconteceria se fôssemos imortais? Dois imortais não se dizem adeus, porque é certo que algum dia tornarão a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=98&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>René Descartes e a Teologia Medieval</strong></p>
<p style="text-align:left;">A filosofia tem como ponto inicial a condição finita do Homem. O Homem morre. E é porque morre que filosofa e reflete. Se em vez de homens fôssemos deuses, não filosofaríamos.  O que aconteceria se fôssemos imortais? Dois imortais não se dizem adeus, porque é certo que algum dia tornarão a se encontrar. Os mortais se despedem com adeus porque pode haver um não retorno. E o que tiramos disso? Tiramos que o Homem é um ser poético, porque vive uma situação patética ao saber de sua finitude e continua a viver. Ao mesmo tempo é um ser precioso, porque cada um dos instantes de sua vida vale infinitamente.  Um instante da vida de um imortal não vale nada porque este instante pode ser repetido infinitas vezes. Em câmbio, um instante de nossa vida é único porque, de certo que é um caminho até a morte, mas é também nossa vida atual, a que estamos vivendo agora. Isso é o que o faz precioso.</p>
<p>É desejável que um pensamento filosófico seja autônomo. Em geral é desejável que também nossos pensamentos sejam nossos.  Que não sejamos pensados pelo &#8220;Sistema&#8221;.</p>
<p>Existe um sistema que pensa tudo por nós. A isso Heidegger chama de  &#8221;Vier em estado de interpretado&#8221;.  Quase todas as pessoas deste mundo vive em estado de interpretado. Para Heidegger, isso é &#8220;Existência Inautêntica&#8221;  ( existência inautêntica é aquela incapas de refletir sobre a finitude do home, que recusa a angústia, que vive na exterioridade. Por exemplo: o excesso de informação, de novidade. As pessoas vivem devoradas pelo excesso de novidades. Não tem o caminhar de uma coisa para outra. É sem fim de novidades em uma coisa, novidades em outra, nisto, naquilo&#8230; Tudo muda constante mente para facilitar o consumo, ou seja: são estes sujeitos sujeitados pelo poder!</p>
<p>Se a História está nas mãos de Deus, o que faz o Homem?</p>
<p>A Filosofia é a arte de perguntar. Em câmbio, Deus é o ser que dá todas as respostas. Por isso, a filosofia tem como condição de possibilidade deixar Deus de lado, porque é um sistema de formular perguntas e de possibilitar algumas respostas.</p>
<p>Na Idade Média o Homem não fazia filosofia, porque a verdade lhe era revelada por Deus e portanto, não buscava a verdade. Bastava crer em Deus, bastava crer no que diziam os textos evangélicos (interpretados pela Igreja) para ter todas as respostas. Uma vida bastante cômoda, pois a vida era um mar de lágrimas, mas alguém havia vindo sofrer por todos, redimido os pecados do mundo e ainda, tinha uma promessa: que o Homem chegará ao &#8220;Reino dos Céus&#8221; e aí seremos todos felizes eternos.</p>
<p>Este relato certamente paralisa o ser humano porque tudo está resolvido. Não há perguntas a fazer pois Deus as responde todas. Não fatos ou ordens históricos para transformar porque este discurso histórico não é o mais importante senão o que virá depois, o do reino dos céus.</p>
<p>Então, durante um período de dez a treze séculos a História permaneceu detida, inerte, porque não é o homem que história. Quando oh homem se submete a veracidade divina, ao juízo divino, à promessa divina, não escreve sua história de próprio punho. Quem está fazendo História é Deus. É tamanha a crença nesse figura de Deus e em seus representantes na Terra, a Igreja, que fica historicamente paralisado.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Em que consiste a ruptura de Descartes com o pensamento Teológico medieval?</strong></p>
<p>Colombo, ao descobrir a América, implica e significa a decisão do homem prometeico de ir em busca de novos territórios, novas conquistas. É uma empresa capitalista, pois Colombo vem à América para explorar. Um genocídio americano do homem capitalista. Cerca de 50 milhões de indígenas assassinados. E o espanhóis, taxados como piratas pelos piratas que roubavam o ouro.</p>
<p>Em 1637, Descartes desloca Deus e põe o Homem na centralidade das coisas. Deus já não é o centro, o que revela a verdade ao homem. Passa a ser o homem o que está no centro da explicação da história da humanidade. O Homem enquanto sujeito. O Homem enquanto pensamento. O Homem enquanto subjetividade.</p>
<p>O que Descartes faz é dizer, com essa famosa frase: &#8220;Penso logo existo&#8221; (Cogito ergo sum) que o sujeito capitalista, ao qual ele representa, se define pela subjetividade e que agora é a subjetividade aquilo que dá fundamento a tudo que existe. A subjetividade é agora o SUBJECTUM, aquilo que subjaz a tudo que existe. Assim como os gregos o chamavam &#8220;<em>sipokeimenon</em>&#8220;, ou seja, aquilo que é subjacente  a tudo, Descartes ao por o pensamento como base de todo o discurso filosófico, histórico, agora é a subjetividade do homem o ponto de partida de todo raciocínio.</p>
<p>Com isso, então, temos que o Homem se apropria da História Quando Descartes, ou melhor, o Renascimento surge. Em 13 séculos de Idade Média não acontece nada, ou quase nada.  Descartes escreve o Discurso do Método em 1637 e em 1789 ocorre a grande Revolução Burguesa, que é a Revolução Francesa. Quando Descartes escreve o Discurso do Método está cortando a cabeça de Luis XVI. Porque é o homem da burguesia capitalista que se põe na centralidade e que começa a fazer história, então quando o homem começa a fazer história, a história se dinamiza, porque não espera que Deus faça a história, a faz ele mesmo. A História cobra um ritmo que antes não tinha porque era a etapa da espera. Se esperava o reino dos céus, agora não espera nada. O faz ele mesmo.</p>
<p>Regium Marques</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ibeans.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ibeans.wordpress.com/98/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=98&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Surdos, simplesmente.</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 02:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>theromanesque</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Adorno]]></category>
		<category><![CDATA[fetichismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Theodor W. Adorno (1903-1969), filósofo, chama de “regressão da audição” o fato de que nos tempos modernos, as pessoas não saibam do que realmente se trata a música, não têm opinião formada sobre e se recusam a saber, pois para isso é necessário pensar. Adorno escreveu isso em uma época onde o rádio estava se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ibeans.wordpress.com&amp;blog=7289057&amp;post=86&amp;subd=ibeans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Theodor W. Adorno (1903-1969), filósofo, chama de “regressão da audição” o fato de que nos tempos modernos, as pessoas não saibam do que realmente se trata a música, não têm opinião formada sobre e se recusam a saber, pois para isso é necessário pensar.</p>
<p>Adorno escreveu isso em uma época onde o rádio estava se difundindo e a curiosidade por uma inovação tecnológica ficou mais importante do que simplesmente a própria coisa, a música. Os valores materiais excederam a proporção da própria essência da arte até mesmo esta sendo feita com excelência.</p>
<p>O sustento da arte nos dias de hoje não é feita para a arte, mas sim para a própria sustentação. Os famosos “Amigos da Orquestra” ou “Unidos pela Arte” são hoje em dia o que mantém os grandes grupos musicais juntamente com o Estado, estes estão interessados em fazer parte desses grupos para serem vistos como cultos a partir do princípio de que a história a arte e o entendimento musical são restritos à apenas alguns grupos sociais.</p>
<p>Hoje em dia numa sala de concertos, o violino Stradivarius e o café espresso também são fatores relevantes para o assinante pagar a assinatura semestral da temporada de uma orquestra e ainda achar-se no direito de ter autoridade ao comentar da expressividade do solista ao realizar fraseados virtuosísticos.</p>
<p><a href="http://ibeans.files.wordpress.com/2010/01/deutsche1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-89" title="deutsche" src="http://ibeans.files.wordpress.com/2010/01/deutsche1.jpg?w=300&#038;h=174" alt="" width="300" height="174" /></a></p>
<p>“As obras que sucumbem ao fetichismo e se transformam em bens de cultura sofrem, mediante este processo, alterações constitutivas. O processo de coisificação atinge a sua própria estrutura interna. Tais obras transformam-se em um conglomerado de idéias, de “achados”, que são inculcados aos ouvintes através de amplificações e repetições contínuas, sem que a organização do conjunto possa exercer a mínima influência contrária. Quanto mais coisificada for a música, tanto mais romântica soará aos ouvidos alienados. É precisamente através disto que tal música se torna propriedade” (ADORNO, 1999, p. 81).</p>
<p>O fetichismo para Adorno é, no entanto a transformação dos produtos culturais em mercadoria e mais ainda em coisas, através de fórmulas repetitivas e massificadas pelos meios de comunicação que trabalham em conjunto para difundir tais produtos e dissimular o seu caráter de mercadoria, transformando tal mercadoria estranha ao homem que consome sem conhecer de fato o que ele está consumindo.</p>
<p>Adorno também critica os meios de comunicação, enfatizando que esses meios, já mesmo em sua época, passavam por uma massificação e ao serem vendidos e consumidos, propiciavam uma regressão na escuta desse produto, ou seja, o uso massificado do rádio e da televisão também estabelece uma ligação entre essa massificação e as formas de regressão auditiva que a indústria cultural exerce nos ouvintes.</p>
<p>“No pólo oposto ao fetichismo na música opera-se uma regressão da audição. Com isto não nos referimos a um regresso do que individual a uma fase anterior do próprio desenvolvimento, nem a um retrocesso do nível coletivo geral, porque é impossível estabelecer um confronto entre milhões de pessoas que em virtude dos meios de comunicação de massas, são hoje atingidos pelos programas musicais e os ouvintes do passado. O que regrediu e permaneceu num estado infantil foi a audição moderna” (ADORNO,1999, p. 89).</p>
<p>Demócrito bem dizia: “A verdade acha-se na profundidade”. Enquanto a superficialidade da escuta estiver presente no ouvinte pós-moderno, este jamais compreenderá de fato um discurso musical, uma vez que em uma das melhores salas de concerto do mundo, as pernas inquietas e os olhares dispersos são comuns durante, por exemplo, a execução das variações de Schoenberg ou a sétima sinfonia de Bruckner.</p>
<p>Tal superficialidade pode também ter explicação pelo fato de muitas pessoas pensarem que entendem de música simplesmente por terem dois ouvidos e que toda música é para todo mundo.</p>
<p><a href="http://ibeans.files.wordpress.com/2010/01/stradi.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-87" title="stradi" src="http://ibeans.files.wordpress.com/2010/01/stradi.jpg?w=500&#038;h=334" alt="" width="500" height="334" /></a></p>
<p>“(&#8230;)Estamos vivendo uma época na qual o número de pessoas extraordinariamente devotadas a seus talentos está decrescendo, e vejo por toda parte que há menos lugares na sociedade atual para esses talentos extraordinários, graças à tendência geral de nivelar os picos e tornar todos iguais, e não aceitar que haja diferenças naturais entre as pessoas.” (STOCKHAUSEN, 2009, p. 40).</p>
<p>Essa problemática conduz o ouvinte ao comodismo de não querer pensar sobre a Música nem, ao menos, tentar compreender seu discurso através da escuta, mas sim comprá-la, seja ela qual for. Gera-se então uma espécie de <em>fast music</em> para pessoas <em>cool-tas</em>.</p>
<p>O capitalismo se aproveitou disso tornando a Música cada vez pior para ouvintes cada vez menos exigentes. Dessa forma a música perdeu todo seu papel de representar o belo através do som, tendo em anexo pessoas com poucas roupas, cenários exuberantes, cores fortes e outras coisas que chamam a atenção do “ouvinte”, se é que a esse ponto a denominação para tal indivíduo seja essa. Leva-se em consideração também a hipótese de que quanto menos educação musical um indivíduo tiver, mais música ruim será ouvida por ele. Atualmente a educação musical, essencialmente no Brasil, é escassa. Como então entender um discurso musical já que pelo visto, este nem pode ser entendido?</p>
<p>Hoje em dia, a música de Bach é conhecida como <em>repetitiva</em>, a de Beethoven como <em>muito longa</em> e a Britten como <em>informal demais</em>. Num século onde as pessoas mal sabem o que é Música, o <em>belo sonoro </em>se perde dentre o visual e o barulhento com a mercantilização sonora e com a <em>Imbecialização da música popular</em> (como disse Flô Menezes em uma entrevista para a Folha de S. Paulo). Ficar uma hora ouvindo uma sinfonia de Beethoven ou quarenta minutos desvendando o dodecafonismo de Schoenberg pode parecer incabível para alguém que pense que a música existe apenas para sufocar o silêncio.</p>
<p>Antes de vivermos essa crise econômica mundial, estamos vivenciando uma crise intelectual, onde a Música não passa de um produto para ser vendido e consumido com <em>catchup.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>L.Freitas<br />
</em></p>
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