Sergei Sergeievitch Prokofiev nasceu em Sontsovka, Ucrânia (antigo Império Russo) em 23 de Abril de 1891 e doze anos depois, já conseguira desconcertar o público com o talento extravagante e a vitalidade de suas composições, depressa se convertendo num dos compositores contemporâneos mais importantes. Em 1918, pouco depois da estréia de sua Sinfonia Clássica, abandonou seu país e passou a viver nos Estados Unidos e na Europa. Assim, em 1921, estreou em Chicago a ópera magistral O Amor das Três Laranjas e, em Paris, Serguei Diaguilev encenou seus dois primeiros balés.
Ao regressar à União Soviética, em 1933, Prokofiev seguiu as diretrizes da política cultural ditada por Stálin. As obras pertencentes a essa segunda fase de sua carreira são mais transparentes e populares e algumas delas inspiraram-se diretamente na música popular russa, possuindo um evidente caráter nacionalista. Não obstante, depois de alguns conflitos com as autoridades culturais, em 1948 foi proibida a interpretação das obras de Prokofiev por seu “excessivo formalismo”, proibição que deixou de vigorar em 1952.
Em 1936, criou duas obras que se celebrizaram: Pedro e o Lobo, um conto infantil acompanhado de música sinfônica para narrador e orquestra, que encerra uma autêntica lição sobre os sons dos diferentes instrumentos, pois a cada personagem são atribuídos um instrumento e uma melodia própria; e o balé Romeu e Julieta. Outro de seus balés é Cinderela (1945), atualmente considerado um clássico. Prokofiev deixou ainda escritas sete sinfonias, cinco concertos para piano, dois concertos para violino e dois para violoncelo, numerosas obras para piano, música de câmara e lieder. São também consideradas obras-primas as partituras que compôs para três filmes de Sergei Eisenstein.
Prokofiev não acreditava em vogais: “elas são muito instáveis”.
O que vão ouvir é o Segundo Movimento, Andante Caloroso, da obra Piano Sonata n° 7 de Sergei Prokofiev interpretado por Glenn Gould. É uma das coisas mais finas e mais poéticas do grande compositor russo do século passado. Ele é também o muito conhecido criador de “Pedro e o Lobo”, essa fantasia tão encantadora que virou um instrumento didático para as crianças terem as melhores impressões e reações nos seus primeiros contatos com a Grande Música.
É por esse motivo que, as pessoas se aproximam de Prokofiev, sem medo, sabendo que vão gostar. Às vezes não é tão fácil assim: todos sabemos que a música chamada “grande música” pede para ser apreciada de verdade, que se lhe dê bastante atenção.









